sábado, 4 de junho de 2016

Muguruza conquista em Roland Garros o seu primeiro Grand Slam

Público 

Em Janeiro de 2014, Garbiñe Muguruza conquistou o seu primeiro título no WTA Tour (Hobart) e entrou no “top-50” do ranking mundial. Quatro meses depois, a jovem de 20 anos saiu definitivamente do anonimato ao eliminar, na segunda ronda de Roland Garros, Serena Williams, campeã em título e sua ídolo de juventude. No final do encontro, Serena disse-lhe que se continuasse a jogar assim, ganharia o torneio, ao que ela respondeu: “Vou tentar”. Em 2015, disputou a sua primeira final de um torneio do Grand Slam, em Wimbledon, onde perdeu com a número um do mundo, e fechou a época com a conquista do segundo título (Pequim). Chegou a esta edição de Roland Garros como número quatro do ranking e saiu com a Taça Suzanne Lenglen, depois de derrotar, na final, Serena, por 7-5, 6-4. Aos 22 anos, Muguruza é a sucessora de Arantxa Sanchez Vicario, a última campeã espanhola do major francês, em 1998.
“Penso que ambas estávamos muito nervosas. Eu queria mesmo ganhar o encontro, não estava a pensar muito em quem tinha pela frente ou onde estava. Disse a mim própria: ‘fica calma, não fiques nervosa’. Treinei toda a minha vida para isto, por isso este era o momento”, explicou Muguruza. A tenista nascida em Caracas (Venezuela) — optou por competir sob a bandeira espanhola no final de 2014 — é a segunda tenista nascida na década de 90 a conquistar um título do Grand Slam, depois de Petra Kvitova, campeã em Wimbledon, em 2011 e 2014.
A “profecia” de Serena levou dois anos a concretizar-se, mas é acertada. Foi com o mesmo ténis agressivo que Muguruza se impôs às suas sucessivas adversárias, beneficiando do seu porte atlético (1,82m e 73kg) para bater forte na bola, ser audaz em momentos chave. Mas também do controlo das suas emoções, característica rara numa jogadora de 22 anos.
Logo no quarto jogo da final, Muguruza teve de anular dois break-points e beneficiou de seguida do desacerto de Serena, que lhe ofereceu o break com uma dupla-falta. A líder do ranking igualou a 4-4, mas nunca esteve tranquila. Uma dupla-falta e um amortie muito mal executado, convidaram Muguruza a mais um break. Serena tentou reagir, mas a espanhola salvou osbreak-points e fechou a partida no terceiro set-point.
Uma quebra de serviço a abrir o segundo set, anunciavam um fim rápido, mas três duplas-faltas permitiram o contra-break. Só que a maior agressividade de Muguruza continuou a fazer a diferença e a espanhola retomou o ascendente. A 3-5, Serena ainda salvou quatro match-points, mas quando Muguruza serviu, nem tremeu e fechou na primeira ocasião.
Serena perdeu uma segunda final do Grand Slam consecutiva e continua à procura do 22.º título do Grand Slam. E foi com a voz embargada que agradeceu ao público, que a ovacionou longamente. Minutos depois, estava na conferência de imprensa. “Sei que ela ganhou o primeiro set por um ponto, o que mostra que temos de jogar bem os pontos importantes. Penso que ela fez isso”, resumiu Serena, que somou mais winners, cometeu menos erros não forçados, mas não foi tão eficaz nos break-points: dois em oito, contra quatro em 10 de Muguruza. E não confirmou ter actuado diminuída por uma lesão nos adutores: “Apenas não fiz aquilo que devia fazer. Adutor ou não, ela jogou para ganhar.”
O torneio masculino de Roland Garros também terá um campeão inédito, que será conhecido na final deste domingo (14 horas portuguesas), entre Novak Djokovic e Andy Murray.

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