domingo, 19 de junho de 2016

"O verdadeiro pesadelo não é o Brexit"

A24: Que aconteçam todos os cenários abaixo descritos.

Via Delito de Opinião

A publicação de sondagens que apontam para a possibilidade de Brexit sugere que a opinião pública britânica não se convenceu dos efeitos catastróficos da eventual saída do Reino Unido da União Europeia. Os defensores da permanência afirmam que o país tem muito a perder e que os efeitos na UE também seriam devastadores. É provável que tenham razão, mas não convenceram o eleitorado e o resultado do referendo é imprevisível. A possível saída britânica implica a reacção defensiva das potências da UE, que tenderiam a acelerar a sua integração. A Alemanha defenderia a criação de um núcleo duro que os países periféricos teriam ainda mais dificuldade em acompanhar. O Brexit é uma evidente ameaça para países como Portugal ou Grécia, que estão em situação frágil, mas não constitui um problema existencial para a União Europeia. Esta quererá encontrar uma solução a várias velocidades, com periferias menos ligadas a Bruxelas, talvez o avanço para uma espécie de confederação central.

A verdadeira crise existencial não será na eventual saída do Reino Unido, mas na próxima eleição presidencial francesa, na Primavera de 2017. Se as sondagens de Brexit forem confirmadas, a opção inglesa implica instabilidade económica que dará novos argumentos aos partidos extremistas em crescimento. A França é o verdadeiro ponto fraco da equação. A Frente Nacional de Marine Le Pen, excluída do sistema político, tem condições para aproveitar as várias crises simultâneas e pode facilmente ficar à frente na primeira volta das presidenciais. Se o seu adversário na segunda volta for um candidato republicano, como por exemplo Alain Juppé, o próximo presidente francês será um centrista capaz de se entender com a Alemanha. Juppé tem todas as condições para ser um óptimo presidente da França. A questão parece bem diferente se o adversário for um Bernie Sanders francês: Marine Le Pen pode vencer na segunda volta, engolindo parte do eleitorado republicano e centrista. A presidente Le Pen vai demolir o euro, contestar as políticas sobre refugiados e de integração dos muçulmanos e cumprirá a promessa de mudar o sistema político francês, de forma a que a FN não seja mais afastada do poder. A sua relação com a Alemanha será péssima e o eixo Paris-Berlim estará em perigo.

1 comentário:

Bilder disse...

O verdadeiro pesadelo para nós será continuarmos sequestrados pela UE.