domingo, 19 de junho de 2016

Rússia poderá ter que salvar novamente a Europa de si mesma

Via Sputnik 

Hoje em dia, quando os islamistas radicais continuam fomentando uma verdadeira guerra contra a Humanidade, será que o Ocidente tem alguma alternativa além da aliança com a Rússia? Esta pergunta é colocada por G. Murphy Donovan, ex-colaborador da inteligência americana. 


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Devido ao aumento dos ataques do islamismo proveniente do Oriente Médio, a Rússia do presidente Vladimir Putin é a chave para fazer frente às ameaças atuais, escreve Donovan no seu artigo para o jornal conservador American Thinker.
Putin é "único em sua classe", escreve Donovan. O líder russo conseguiu deixar para trás o comunismo e construir uma forma de democracia no seu país. Além disso, restaurou o Cristianismo e os institutos ortodoxos na Rússia.

Durante a sua presidência, o Exército russo foi restaurado e modernizado e o país passou a defender os seus interesses no Cáucaso, na Geórgia, Ucrânia e agora na Síria, escreve o ex-colaborador. A rejeição russa da expansão da OTAN e a onda de golpes de Estado, fruto da ingerência externa, conhecidos como revoluções coloridas, também é completamente compreensível.

O que não é compreensível, em nenhum caso, é a tentativa dos políticos europeus de procurar um conflito com a Rússia, no meio de uma ameaça de grande escala como é o islamismo radical, afirma o autor.
Enquanto a OTAN fez vista grossa ao comércio ilegal de petróleo entre a Turquia e o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia), foi a Rússia que mostrou as ações de Ancara e começou a bombardear os caminhões de jihadistas que levavam o petróleo barato da Síria ao país otomano.

Além disso, os países muçulmanos fornecem combatentes há meio século para a jihad internacional, combatentes que "escolhem como alvo e matam impunemente os americanos e europeus", além de financiar os grupos radicais para seguir em frente com sua própria agenda. Mas nenhum desses países foi submetido às sanções do Ocidente, enquanto a Rússia está suportando uma pressão econômica e militar, denuncia o autor.
"Os políticos europeus e norte-americanos não parecem entender quem é o seu inimigo número um", de acordo com Donovan.

Por sua vez, Putin tem uma visão clara sobre as ameaças provenientes do "fascismo religioso". 

Na luta contra a ameaça global do terrorismo islâmico, surgem oportunidades de criar novas alianças. Neste sentido, a Rússia de Putin é o aliado mais evidente do Ocidente, já que Moscou, Washington e Pequim poderiam formar uma coalizão internacional semelhante à da Segunda Guerra Mundial — a União Soviética, Reino Unido e EUA- que conseguiram derrotar o nazismo, destaca o autor.
"Veremos se a Rússia terá que salvar a Europa de si mesma outra vez no século XXI", conclui o especialista.

1 comentário:

Bilder disse...

Como demonstraremos ao longo deste ensaio,a política externa dos Estados Unidos visa essencialmente perenizar a hegemonia americana,sem rival desde o fim da Guerra-Fria,e impedir o aparecimento de concorrentes geoeconómicos,princípalmente da Rússia e da Europa Ocidental.Está portanto em grande parte voltada contra os interesses das nações europeias.Conscientes de que um europa forte e independente estaria à altura de ultrapassar os EUA em todos os campos de poder,nomeadamente o económico,os estrategas americanos querem a qualquer preço evitar o mínimo despertar,matar no ovo a mínima veleidade de autonomia europeia,no caso de que alguns dirigentes mais lúcidos decidissem organizar uma Grande Europa Continental,reconciliando os seus "dois pulmões",ortodoxo e ocidental.Daí a vontade americana de enfraquecer e diliuir o continente europeu incluindo-em nome da OTAN-a Turquia na União Europeia(nota:estas linhas foram escritas em 2001)e por consequência afastando-a ainda mais da Rússsia(daí que a Rússia se virou para a China e os Brics),a fim de que a constituição de uma Grande Europa Continental independente e forte(ao contrário do que é a actual UE em 2015),susceptível de fazer concorrência aos Estados Unidos nunca veja o dia.Estratégicamente a Europa arrisca-se a pagar muito caro a factura da "ocidentalidade"(mais americana que europeia)e a Taxa estratégica do "Atlantismo",simples máscaras do seu enfeudamento aos Estados Unidos:dividida internamente,cortada em dois por uma nova "cortina de ferro" civilizacional e sócio-económica,e presa por tenazes entre um Sul islâmico radical e vingativo e um "Ocidente" americano hegemónico destruidor de identidades,a Europa não parece pronta para afrontar os sérios desafios do séculoXXI que podem muito simplesmente fazê-la desaparecer enquanto civilização plurissecular se não reagir muito depressa.(texto retirado de "Guerras Contra a Europa,livro de 2001)