domingo, 24 de julho de 2016

Bye Bye VHS

Público 

Era, provavelmente, o único prego que ainda faltava no caixão do VHS. A japonesa Funai, a última empresa conhecida no mundo a produzir leitores e gravadores para este tipo de cassetes, vai carregar no "stop".

Não há surpresa no facto de mais uma marca decidir abandonar uma tecnologia que marcou as décadas de 1980 e 1990 e entrou depois em declínio. Surpreendente é que a Funai ainda tenha conseguido vender 750 mil aparelhos no ano passado. É um número que fica muito longe dos tempos áureos das cassetes: a companhia tinha começado a fabricar leitores e gravadores de vídeo em 1983 e chegou a vender 15 milhões de unidades num ano. Comercializava os aparelhos com marca própria, mas também os fazia para outras empresas, como a Sharp, Toshiba e Sanyo.


Segundo o jornal japonês Nikkei – cuja notícia está a ser replicada por todo o mundo – a pouca procura pelos aparelhos de vídeo juntou-se à escassez de componentes e as linhas de produção vão ser encerradas no final de Julho.
A notícia surge poucos meses depois de a Sony ter terminado a produção de cassetes Betamax, o muito menos usado rival do VHS. Apesar de até os DVD, que ditaram o fim das cassetes de fita magnética, já terem sido ultrapassados pelas ofertas online de empresas como o YouTube, o Netflix, a Amazon e a Apple, aqueles velhos formatos resistem à extinção graças às cassetes que algumas pessoas ainda mantêm em casa: desde séries de televisão com mais de 20 anos a vídeos de festas de família e casamentos.
A Funai, bem menos conhecida do que outros nomes do sector, nasceu a partir de uma empresa que fabricava peças para máquinas de costura. Começou no final da década de 1950 a produzir rádios e enveredou depois pelo caminho de muitos fabricantes de electrónica da altura: leitores de cassetes, vídeos, aparelhagens, máquinas de filmar, telefones sem fios, televisores, alguns electrodomésticos, leitores de DVD e blu-ray. As televisões são hoje o principal negócio da empresa.
O VHS surgiu em 1976, um ano depois das cassetes Betamax (ou, simplesmente, cassetes Beta, criadas pela Sony). Ao longo da década seguinte, as duas disputaram aquela que é considerada a primeira guerra de formatos tecnológicos. O VHS (cuja sigla se devia inicialmente a Vertical Helical Scan, uma especificação técnica, e mais tarde passou a significar Video Home System) acabou por levar a melhor. Um dos trunfos era permitir gravar muito mais tempo do que as cassetes Beta.
Os videoclubes tiveram um papel importante na difusão do formato. Mas também é frequentemente contada a história de que o facto de a indústria da pornografia ter adoptado a tecnologia VHS foi determinante para o sucesso. Contudo, não é claro se a opção dos produtores de filmes pornográficos foi mais uma causa do que uma consequência da popularidade do VHS.
Mesmo que nenhuma empresa queira continuar a fazer estes leitores de vídeo, os entusiastas da fita magnética podem sempre continuar a recorrer ao mercado de usados. Em sites de classificados há leitores de VHS à venda por preços que oscilam entre os dez e os 50 euros.

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