terça-feira, 27 de setembro de 2016

Revista “Tintin” faz hoje 70 anos

 Via Máquina de Escrever

O dia 26 de setembro marca uma data especial na história da BD. Há precisamente 70 essa era a data que surgia na capa do número um de uma nova revista que, anunciando-se “a cada quinta-feira”, levava às suas 12 páginas uma série de pranchas de narrativas em banda desenhada. A 26 de setembro de 1946 o número 1 da revista Tintin apresentava, então as primeiras pranchas de O Templo do Sol (Tintin) de Hergé, A Extraordinária Odisseia de Corentin, de Paul Cuvier, La Légende des Quatre Fils Aymond de Jacques Laudy e O Segredo do Espadão de Edgar P. Jacobs. Publicada na Bélgica, a revista tinha a sua edição principal em francês, mas conhecia desde logo uma versão neerlandesa, com o nome Kuifje. 




Foi um sucesso, e 13 edições mais tarde, a revista passa a ter 16 páginas. As histórias, personagens e autores continuam a surgir. Hergé retoma as figuras de Jo Zette e Jocko e, em 1948, Jaques Martin estreia ali as aventuras de Alix. Antes de entrar nos anos 50 a revista tem já uma edição francesa autónoma (igualmente distribuída na Suíça). A competição com a revista Spirou (fundada em 1938) obrigava a melhorar constantemente a oferta. E, pelo caminho, outras mais publicações do género foram surgindo. A BD franco-belga, que entrava numa era rica em acontecimentos, tinha em todas estas páginas uma expressão clara do entusiasmo partilhado entre autores, editores e leitores.

Nos anos 50 surgem ali novas séries e heróis. Dan Cooper (Albert Weinberg), Ric Hochet e Chick Bill (ambos de Tibet), Clifton e Clorofila (Raymond Macherot), Lefranc (Jacques Martin), Michel Vaillant (Jean Graton) ou Umpá-Pá (Uderzo e Goscinny) são casos de sucesso com vida em álbuns que nasceram depois das narrativas estreadas na revista. Nos anos 60 é a vez de entrarem em cena Taka Takata (Jo-El Azara), Cubitus (Dupa), Bruno Brazil (William Vance), Bernard Prince e Comanche (ambos de Hermann) e Luc Orient (Eddy Paape). É nos sessentas que surge, em Portugal, uma das edições locais da revista (que estará em publicação entre 1963 e 1983) que, depois, tem ainda versões na Grécia (1969-1972) e Egito (sede da versão árabe, que é lançada entre 1971 e 1980). Nos anos 70 é a vez de Simon de Fleuve (Claude Auclair), Vasco (Gilles Chaillet), Jonathan (Cosey) ou Corto Maltese (Hugo Pratt). E nos oitentas, quando chega ao fim a publicação (o último número é lançado em novembro de 1988), surgem ainda as novas séries Adler (René Sterne) e Aria (Michel Weyland).


Agora, ao assinalar os 70 anos do nascimento da revista que deu berço a algumas das mais marcantes criações da história da banda desenhada, há livros, revistas e uma exposição. Organizada em parceria com o Musée Hergé (na Bélgica), a exposição Hergé está patente no Grand Palais (Paris) até 15 de janeiro, juntando elementos que permitem caracterizar a vida e a obra do criador de Tintin. Um catálogo, de 304 páginas, está disponível em várias lojas e surge ainda, com um preço de 35 euros, na loja do site do museu onde se apresenta ainda, ao preço mais suave de 16 euros, Tintin et Le Secret d’Hergé, volume de 176 páginas assinado por Serge Tisseron, igualmente publicado este mês.


A mais impressionante das novas edições em livro é, contudo, o volume de 777 páginas que junta memórias da história da própria revista Tintin. La Grande Aventure du Journal Tintin surgiu ainda em finais de agosto e inclui, num corpo de 77 páginas, alguns desenhos inéditos de Hergé, capas especiais criadas para a revista, calendários e um dossier igualmente nunca antes publicado. As restantes 700 páginas incluem narrativas curtas, raras ou inéditas em álbum, de heróis criados por alguns dos autores de referência da história da revista, como Edgar P. Jacobs, Hugo Pratt, Franquin ou Herrmann.

Além da oferta em livro não faltam revistas a dedicar edições especiais a assinalar a data. E, depois de um número da Paris Match, chega agora uma edição temática da Beaux Arts.

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