segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Uma exegese de merda




O personagem à direita neste quadro exibe a cara de um absoluto imbecil que, aflito, inadvertidamente cagou nas cuecas sem querer; o senhor do meio, pela subtil imperturbabilidade e ligeira inclinação dos ombros diria que se está mesmo a largar de fininho para o seu lado direito, o que se confirma pela expressão de estupor da fêmea de corvo que aparece do lado esquerdo à frente no quadro, expressão de quem está a ouvir o assobio do peido e espera que lhe chegue o cheiro ao nariz a qualquer momento. Lá atrás à esquerda, outro integrante da vara ouve o mesmo peido do Joaquim, mira-o com censura mal disfarçada e não se dá conta que a ruminante que o ladeia faz o que pode para, no limite, segurar o traque que a aflige e pode explodir a qualquer momento. A outra dorme e o seguinte inclina-se ligeiramente para diante, num momento de vingança contra o cheiro exalado pela cavalgadura à frente dele, caga-se alto e bom som. Os outros mamíferos, não sei. Mas que isto é uma história de merda, é.
Helder Ferreira in O Insurgente

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