terça-feira, 8 de novembro de 2016

“Ame-se ou odeie-se, a verdade é que muitas pessoas gostam de ver Donald Trump”

 A24: A mais importante resposta de David Birdsell sobre o resultado das eleições americanas. Vale a pena ler no seu todo, mas decidi realçar esta última passagem.

Podem ser feitos pequenos ajustamentos. Por exemplo, Donald Trump diz muitas coisas que não são verdade. Em Setembro do ano passado, durante as primárias, estações como a CNN repetiam uma afirmação dele e logo a seguir diziam que essa afirmação era falsa. Mas neste momento a confiança dos cidadãos nos media está num nível muito, muito baixo. Se a visão do mundo de muitas pessoas está completamente afastada do respeito por todas as instituições, o facto de [o jornalista da CNN] Wolf Blitzer dizer que Donald Trump mentiu sobre a sua posição em relação à guerra no Iraque não muda quase nada.
No ponto mais alto de confiança nas instituições, em 1965, 82% dos americanos confiavam que o Governo fazia o que era mais certo sempre ou na maioria das vezes; em Junho de 2015, apenas 19% responderam a mesma coisa e 81% disseram que não confiam no Governo. Estes dados mostram que a erosão no panorama político americano começou há muito tempo, e não com Donald Trump.
Vemos isso também na União Europeia, quando apenas os cidadãos da Dinamarca, da Suécia e da Finlândia acreditam hoje mais na União Europeia do que aquando da sua adesão. Há uma crise de confiança nas instituições em todo o mundo ocidental, e muita dessa desconfiança está relacionada com a educação. As pessoas que apoiam Donald Trump e que apoiaram o "Brexit", por exemplo, olham para o comércio global e sentem que não estão a ser beneficiadas. Vêem outros a ser beneficiados, mas sentem-se profundamente prejudicados. E, em muitos casos, têm razão, porque os governos da União Europeia e dos Estados Unidos falharam na redistribuição da economia que cresceu com o comércio mundial.

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