quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Donald Trump - personalidade do ano para a Time

A-24: Merecido. Parabéns Donald Trump




No ano passado, no dia em que a revista norte-americana Time anunciou o nome da pessoa que mais se destacara em 2015, o então candidato à nomeação pelo Partido Republicano Donald Trump fez questão de partilhar a sua opinião no Twitter: "Eu bem vos disse que a revista Time não ia nomear-me Personalidade do Ano, apesar de eu ser o grande favorito. Escolheram a pessoa que está a arruinar a Alemanha."

A escolhida, como é óbvio, foi a chanceler Angela Merkel, e o texto escrito pela directora da Time explicava porquê: "Num momento em que uma grande parte do mundo está mais uma vez no meio de um violento debate sobre o equilíbrio entre segurança e liberdade, a chanceler está a pedir muito ao povo alemão e, através do seu exemplo, também a todos nós. Para sermos acolhedores. Para não termos medo. Para acreditarmos que as grandes civilizações constroem pontes e não muros, e que as guerras são ganhas tanto no campo de batalha como fora dele. Ao olhar para os refugiados como vítimas e não como invasores que devem ser expulsos, a mulher que cresceu atrás da Cortina de Ferro apostou na liberdade. A filha de um pastor [luterano] brandiu a piedade como uma arma."

Um ano depois, chegamos a 7 de Dezembro de 2016 e a revista Time voltou a cumprir o ritual que começou em 1927: a escolha da pessoa que foi, segundo os seus critérios, quem mais se destacou no ano anterior, seja por boas ou más razões. Isso não importa, e nunca importou: se o primeiro escolhido, em 1927, foi o aviador Charles Lindbergh, por ter sido o primeiro a voar sem paragens entre Nova Iorque e Paris, em 1938 o escolhido foi Adolf Hitler – "Hitler tornou-se em 1938 a maior ameaça ao mundo democrático e amante da democracia", justificou a revista do dia 2 de Janeiro de 1939.


Este ano, era difícil que a escolha fosse outra – ame-se ou odeie-se, ninguém se destacou mais em 2016 do que Donald Trump, o homem que começou a campanha para a nomeação pelo Partido Republicano como uma piada para muitos, e que foi eleito Presidente dos Estados Unidos da América contra a favorita Hillary Clinton.

Um ano depois de ter escolhido Angela Merkel "por ter pedido mais ao seu país do que muitos políticos ousariam, por se manter firme contra a tirania e contra o que é mais conveniente, e por oferecer uma liderança moral e firme num mundo onde isso escasseia", a revista Time pôs na sua capa mais esperada o Presidente eleito dos EUA, Donald Trump.

E, um ano depois de ter explicado a escolha de Merkel, a directora da revista, Nancy Gibbs, veio explicar a escolha de Trump: "Por recordar a América que a demagogia se alimenta do desespero e que a verdade só tem poder na medida em que se confia na pessoa que a profere, por dar poder a um eleitorado escondido ao trazer para o discurso público as suas fúrias e a transmitir em tempo real os seus medos, e por moldar a cultura política do futuro demolindo a do passado, Donald Trump é a Personalidade do Ano de 2016 da revista Time."

A maior parte do mundo só soube hoje da escolha da revista, mas Donald Trump já tinha sido entrevistado e fotografado para a capa. Na conversa com o jornalista Michael Scherer no luxuoso apartamento na Trump Tower, em Manhattan, o Presidente eleito dos EUA sublinhou um dos fenómenos que o levou a vencer em estados afectados pelo encerramento de fábricas, como o Ohio, a Pensilvânia ou o Michigan, e a derrotar Hillary Clinton: "O que espanta muita gente é que eu estou aqui, sentado num tipo de apartamento que muita gente nem sequer teve a oportunidade de ver, e ainda assim represento os trabalhadores de todo o mundo."

Na lista final para a escolha da Personalidade do Ano de 2016 entraram ainda Hillary Clinton; os hackers; o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan; os pioneiros da técnica de edição genética CRISPR; e a cantora Beyoncé.

1 comentário:

Bilder disse...

https://www.publico.pt/2016/12/06/mundo/noticia/cautelas-e-caldos-de-galinha-1753723 já aparecem artigos "fora da caixa" no Público(e até da parte de alguns servos do sistema liberal-socialista/liberal-capitalista),a eleição do Trump pelo menos serviu para isso(senão servir para mais nada já serviu para lermos algo diferente sobre a realidade).