segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Falsas boas festas

Miguel Esteves Cardoso 
Porque é que tantas empresas que não me conhecem de lado nenhum me mandam mails automatizados a desejar-me falsas boas festas e feliz ano novo? Onde está escrito que isto me vai me dar vontade de comprar os produtos que me querem vender?
Quando faço anos é a mesma porcaria. As empresas - bancos, publicações, lojas, marcas - fazem questão de me mandar um mail a dizer-me que os computadores e o software que têm “não se esqueceram” do meu aniversário. Os mails custam zero e não envolvem a participação de um único dedo humano. Que pretenderão os autores destes golpes retrógrados, se é que ainda estão vivos? Que eu ache simpático que tenham incluido o meu endereço electrónico na lista super-exclusiva
que eles mantêm de potenciais clientes?
Haverá alguém no mundo - uma única pessoa - que discorde que estas falsas boas festas são contraproducentes? Duvido. Então porque é que continuam a mandá-las? Se calhar a programação foi feita nos anos 90 e as empresas esqueceram-se de desactivá-la. Se fosse esse o caso, bem que uma empresa pioneira poderia mandar-me um mail muito bem-vindo a
dizer-me que, pela primeira vez, não me vai mandar falsas boas festas porque reconhece que é um gesto automático e logo pior do que insincero.
Bem bastam a insinceridade humana e as falsas boas festas que pessoas verdadeiras desejam umas às outras. Já há, por esta época, automatismo que chegue nos nossos gestos e nas nossas palavras. Já estamos bem servidos de falsidade, muito obrigados. Já chega.

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