terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Sobre Mário Soares

Por falar noutra coisa 

Acho que os funerais transmitidos na TV deviam ter sempre o relato do Gabriel Alves. Fica a sugestão para o do Mário Soares:

O ambiente está solene, o público aguarda a entrada do caixão no recinto do espectáculo. Lá vem ele, um caixão bonito, moderno e arejado! Faz-se a onda de baixo para cima que é o que os familiares rezam para que aconteça à alma de Soares! O carregamento do caixão está a ser feito em 4x4x2, com os filhos do ex-presidente a ponta de lança. É o enterro espectáculo meus amigos! Reparem como o caixão segue em linha perfeitamente recta! O enterro é uma arte plástica! As claques gritam «Soares é fixe!». Fica na retina o aroma das lágrimas vertidas pelos familiares com este gesto bonito deste público fantástico que acorreu aos Jerónimos. Agora, fazem-se ouvir as claques adversárias com cânticos de apoio «Gatuno! Já não mamas mais!». O fair-play bonito do público a apoiar ambas as equipas. A palavra agora está do lado de Marcelo, o novo capitão. As suas palavras têm um perfume selvagem e um odor realmente fresco. Afasta-se do palanque, descendo as escadas e mostrando a vantagem de ter duas pernas. O público ao rubro com afetos! Isto só mostra que Soares era dos melhores políticos da Europa e, provavelmente, de Portugal. O caixão segue nem pela direita nem pela esquerda, antes pelo contrário, vai pelos flancos. Vai para a zona da confusão onde não está ninguém. Dirige-se para o cemitério dos Prazeres a passo de caracol apressado. É o grande momento. Oh... o caixão teima em não entrar. Algo impede a penetração. Outra tentativa... oh... muito ao lado... mas é golo! É golo! É enterro! Um enterro substantivo que nem pode ser adjectivado. Obrigado. Boa tarde e boa noite.

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