segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Nacionalismo do que gostamos é refresco

Vítor Cunha in Blasfémias 

Muita gente fala do regresso dos nacionalismos. Por exemplo, Timothy Garton Ash escreve no Observador que “este mundo em que os nacionalismos se reforçam mutuamente é também um mundo em que tanto o poder relativo como a coerência interna do Ocidente estão a sofrer uma enorme erosão de ambos os lados do Atlântico”. Imagino que seja assim que se vêem as coisas quando estamos na academia ou num think tank. Aqui, nos subúrbios, não vejo regresso de nacionalismos, vejo o nacionalismo que sempre conhecemos perder a vergonha ao ponto de se demonstrar no poder. Sim, é o mesmo nacionalismo que, na rua, não acha que o tipo que atira um camião contra uma multidão seja um francês, independentemente do que disser no seu passaporte.
Quando uma Catarina Martins diz que devemos estar preparados para a saída do euro, isso não é nacionalismo?
 
Quando aquele palerminha que aparece ao lado do primeiro-ministro (eu sei, assim não é fácil identificar) diz que as pernas dos banqueiros alemães até tremem se ameaçarmos não pagar as dívidas, isso não é nacionalismo? 
Quando vamos sacar fundos estruturais e quando criamos PPP ruinosas para construir auto-estradas entre Moimenta da Serra e Moimenta do Vale, isso não é nacionalismo? 
Quando um país teso discute outro aeroporto para Lisboa, isso não é nacionalismo? 
Quando não construir linhas de TGV era ficar “fora da rede ferroviária transcontinental”, isso não era nacionalismo? 
Quando o país pedinte se queixa de uma tirada do Schäuble, porque é “ingerência na democracia nacional”, e que já não é ingerência quando se trata de criticar a eleição de Trump, isso não é nacionalismo? 
E a grande esperança no Tsipras e no Syriza, que iam mostrar a esses nazis do alemães como era, não é nacionalismo? 
O Brexit é nacionalismo, mas o discurso do PCP, da Bloca e da agremiação de loucos que é hoje o PS, quando sugerem sair do euro, isso já não é nacionalismo? 
Então, agradeço que me expliquem o que é o nacionalismo. Talvez o muro do Clinton não seja nacionalismo, talvez só o segmento do Trump seja. Tentem explicar-me o que é nacionalismo sem recorrer a pessoas. Ficarei agradecido, mas esperarei sentado.

2 comentários:

Bilder disse...

Os neomarxistas dizem-se "patriotas de esquerda"(lol)quando advogam certas políticas(os do pcp,marxistas-leninistas,até usam desse slogan nos seus cartazes e nos seus comícios antes de cantarem a internacional).Já o patriotismo(ou nacionalismo)dos outros é que sempre mau,nada que espante vindo de quem cultiva a "superioridade moral" em doses-marxistas-industriais(e isto com a cumplicidade dos média "capitalistas" e burgueses).

A-24 disse...

Nem mais caro Bilder. Farto-me de ver cartazes do PCP com mensagens a dizer que portugal deve sair do euro (e eu até concordo com isso, se todos os outros países também saírem), que devemos apostar na produção nacional e na nossa indústria, e penso, "estes tipos são mesmo nacionalistas", mas depois, o discurso não é coerente e não passam de uns internacionalistas que escondem uma agenda perversa, essa sim longe de figurar em cartazes