sábado, 11 de fevereiro de 2017

Sobre a “morte assistida” ou mais precisamente sobre uma fraude deliberada de linguagem.


José Ribeiro e Castro: Isto da “morte assistida” é uma hipocrisia e uma mentira pegada. Uma fraude deliberada de linguagem. Morte assistida é o que se passa todos os dias nos hospitais, com os doentes que são cuidados clinicamente até ao último momento. Morte assistida é o que se passa naquelas famílias que assistem e acompanham, com carinho, os seus familiares nos últimos dias e momentos de vida. O meu irmão morreu, há pouco, assistido, no hospital. A minha avó paterna morreu, assistida, em casa, quando eu era criança. É a primeira morte de que me lembro. O meu avô materno morreu, assistido, no hospital. O meu avô paterno morreu, assistido e acarinhado, em casa de meus pais. A minha mãe, a minha avó materna e o meu pai morreram todos subitamente, pelo que não foram assistidos. O médico e a família apenas puderam constatar os óbitos.
Não se pode despenalizar a morte assistida, porque a morte assistida não está penalizada. A assistência na morte é um dever de todos os próximos dos moribundos: médicos, familiares, outros profissionais de saúde, cuidadores em geral. Não só é legal, como é devida.
Este debate não é sobre morte assistida. Este debate é sobre eutanásia, isto é, sobre morte provocada.
Também eu, se não morrer de morte súbita, ou violenta, ou de acidente, terei certamente uma morte assistida: ou em estabelecimento de saúde ou social, ou em minha casa com a família. Não temos que nos preocupar com isso. Já é assim

2 comentários:

Manuel Galvão disse...

o seu avô, o seu tio, etc., morreram há quantos anos?
É que hoje há métodos sofisticados de MANTER VIVOS INDEFINIDAMENTE moribundos.
A obrigação dos médicos é aplicarem esses métodos a qualquer moribundo pois os médicos juram proteger seus pacientes da morte em quaisquer circunstâncias. Quando não o fazem ou alguém os não deixar atuar segundo esse princípio dizem que houve homicídio por negligência.
Sorte tem o Sr. Ribeiro e Castro de não ter um irmão que o acusasse em tribunal de falta de assistência durante a grave doença que vitimou sua mãe. Devia tê-la levado para o hospital para ser assistida, pois não há nenhuma situação de doença que não esteja prevista assistir num hospital quando o doente lá entra pedindo ajuda.

A-24 disse...

A esquerda quando está no poder, leve o tempo que levar, há-de sempre conseguir os seus intentos. Primeiro foi o aborto, depois as drogas, depois o "casamento" gay, co-adopção, agora a eutanásia, mais tarde quiçá a pedofilia ou a bestialidade etc
Só tenho pena que quando o centro volta ao poder nao ter força para repor certas leis, visto que estas, que vão sendo aprovadas sempre que eles estão n poder, não reflectem, de todo a vontade da maioria do povo.