sábado, 15 de abril de 2017

À esquerda, o relativismo moral e cultural, o politicamente correcto, o policiamento da linguagem

Nuno Poças 
"À esquerda, o relativismo moral e cultural, o politicamente correcto, o policiamento da linguagem, a fixação com a culpa do homem branco e ocidental, a agenda política exclusivamente vocacionada para as "causas fracturantes", o isolamento nos centros urbanos da moda, o elogio da humanidade abstracta que esqueceu os homens concretos, o ódio aos mercados que lhe financiam as ideias, o ódio à religião, excepto daquelas que ofendem o quotidiano europeu. À direita, o esquecimento dos homens concretos e da humanidade abstracta, o desprezo pelos sentimentos de pertença, de comunidade, de bairro, de Nação, a visão monetária do mundo, o economês por todo o lado, como se tudo na vida se resumisse a dinheiro e a economia, a dependência do consumo, o fomento do ter, do possuir, como métodos de afirmação social. Por todos os lados, a corrupção, as clientelas, o enriquecimento com a política. E uma enorme vontade de afastar as pessoas da participação política e partidária, um desejo fervoroso de colocar de parte quem possa questionar os métodos e as palavras. E muito circo. E pouco pão. Aqui chegados, é fácil perceber de onde vêm Marine Le Pen, Trump ou o Brexit. Vem do vazio moral e ideológico. Vem da falta de recursos. Vem desta gente toda. Vem da disponibilidade das pessoas para ouvir soluções erradas só porque as análises são correctas. Vem da crença num passado que já não volta. O que resta a uma sociedade envelhecida é precisamente isto: acreditar no passado, já que futuro ninguém vê. Quem julga que não tem nada a perder - mesmo que tenha, de facto - arrisca tudo. Quem fica a perder são os que sabem o desastre que isto tudo representa. E esses, aos quais modestamente me junto, não têm para onde se virar."

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