quinta-feira, 27 de abril de 2017

O SG António Guterres II

Paulo Milheiro da Costa
Nenhum Sec Geral ONU tem poder para influenciar a política mundial. Nos episódios de maior tensão, que acontecem regularmente desde há muitas décadas, o Sec Geral é simplesmente ignorado (ou transformado em pombo-correio entre as partes) e as decisões são tomadas pelos líderes das nações envolvidas, as grandes mas também as pequenas. Nem sequer é o Conselho de Segurança que toma decisões, salvo se os cinco países com direito de veto estiverem alinhados - o que praticamente nunca acontece, em questões substanciais. Pondo de lado uma reflexão sobre a utilidade da ONU, porque não cabe aqui, isto serve para dizer que as expectativas sobre a importância do papel de Guterres eram completamente disparatadas. Mesmo que Guterres fosse um génio da política e da diplomacia não riscaria nada, fora das decisões de gestão financeira e burocrática internas da organização.
Acresce, claro, que Guterres não é nem nunca foi esse génio. Muito, muito longe disso. É um político medroso e indeciso e um gestor descuidado. A sua nomeação serve os seus, dele, interesses (legítimos e afinal não foi ele que inventou o cargo que alguém tem de preencher) e sobretudo serve para alimentar a mentira de que Portugal tem peso no mundo - não tem nenhum, mas os políticos gostam de vender esse mito aos eleitores. Quanto à ONU influenciar a política internacional, isso nunca vai acontecer. Com Guterres ou outro (ou outra) qualquer. O que não é necessariamente mau.

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