terça-feira, 2 de maio de 2017

Arábia Saudita faz parte da comissão para os direitos... das mulheres... na ONU

Visão
A Arábia Saudita foi eleita para a Comissão para os Direitos das Mulheres da ONU no último domingo, 23. A decisão de colocar a nação islâmica ultra-conservadora no grupo de 45 países que debatem a promoção da igualdade de género e os direitos das mulheres no mundo revoltou grupos de direitos humanos. "É como colocar um incendiário o chefe dos bombeiros de uma cidade", disse Hillel Neuer, director da ONG UN Watch (Observatório das Nações Unidas).
É quase impossível para uma mulher ter uma vida comum na Arábia Saudita sem a supervisão de um homem. Uma polícia religiosa, a mutaween, é responsável por controlar se as mulheres estão a quebrar alguma das inúmeras regras de segregação do país.Veja algumas das coisas que as mulheres não podem fazer no país que agora tem a função de promover (ou não...) os seus direitos no mundo.

VIAJAR, ESTUDAR OU TRABALHAR SEM AUTORIZAÇÃO DE UM HOMEM
Pela lei saudita, uma mulher é obrigada a ter sempre um guardião do sexo masculino, seja o marido ou algum membro da família. Este guardião, chamado de wali, é quem decide se uma mulher se pode casar ou divorciar, viajar (caso tenha menos de 45 anos), estudar, trabalhar, abrir uma conta bancária ou até mesmo submeter-se a alguns procedimentos cirúrgicos.

CONDUZIR
Não há legislação oficial que proíba as mulheres de se sentarem atrás de um volante, mas o preconceito cultural é tão forte que na prática se tornou lei. Diversas campanhas já foram feitas no país a pedir que elas possam conduzir livremente, mas sem sucesso. Em Novembro do ano passado, a Assembleia Consultativa, conhecida como Shura, recusou-se a analisar a questão. De acordo com um dos membros do conselho, as mulheres estariam "expostas ao mal", caso conduzissem.

"MOSTRAR A SUA BELEZA"
O código de vestimenta para as mulheres sauditas é famoso (ou infame) em todo o mundo. Mesmo nas regiões em que não são tecnicamente obrigadas a cobrir o rosto, continuam expostas a críticas e punições caso não cubram suficientemente a cabeça ou usem demasiada maquilhagem. Em 2015, a Shura recomendou que todas as apresentadoras de televisão usassem "roupas modestas" e que não mostrassem "demais a sua beleza".

VOTAR LIVREMENTE
As mulheres sauditas conquistaram em 2015 o direito de se candidatarem e votarem em eleições locais. Apesar do avanço, as candidatas só podiam fazer discursos escondidas por uma divisória ou, em alternativa, serem representadas por um homem. E também não têm direito de voto em plebiscitos acima dos locais.

PASSAR MUITO TEMPO COM UM HOMEM
É proibido uma mulher saudita interagir tempo "a mais" com um homem que não seja da sua família. A maior parte dos edifícios públicos possuem entradas diferentes para homens e mulheres. Transportes públicos, parques e praias também são segregados em muitas partes do país. Desrespeitar a lei resulta em punições para ambos, mas a mulher costuma sofrer os castigos mais severos.

PRATICAR DESPORTO SEM LIMITAÇÕES
Já foi muito mais difícil a situação do desporto feminino na Arábia Saudita, mas ainda não é fácil. O país enviou uma delegação feminina a uns Jogos Olímpicos pela primeira vez em 2012, embora não tenha havido cobertura das atletas nos jornais locais (e elas foram obrigadas a ser acompanhadas por um homem). Ainda não há uma selecção feminina de futebol. Em 2013, foi aberto o primeiro centro desportivo exclusivo para mulheres no país, mas elas continuam proibidas de praticarem desporto nas escolas públicas.

EXPERIMENTAR UMA ROUPA DENTRO DA LOJA

De acordo com um relato publicado em 2010 na revista americana Vanity Fair, uma mulher é livre para experimentar o que quiser numa loja, quando estiver numa área segregada. Caso seja um estabelecimento que também permita homens, a ordem é que comprem e depois experimentem em casa.

2 comentários:

Bilder disse...

Lol(este lol é apenas uma "figura de estilo" pois a coisa não está muito para rir na verdade).

A-24 disse...

Nada mesmo.