sexta-feira, 9 de junho de 2017

"A casa alegre" - Governo festeja o presente, esquece o amanhã e não aprende com o passado.

 Luís Campos Ferreira
Este é o governo para quem tudo parece correr bem. O que dele depende e o que lhe é alheio. O governo que parece ter sucesso no défice, na economia, na sintonia política entre os diversos parceiros. O governo que praticamente não tem manifestações nas ruas nem greves no currículo. O governo cujos membros quase não metem o pé na poça (grande parte porque são politicamente inexistentes, mas isso não importa para o caso). Um governo de boas notícias, risos e sorrisos. Em paz com o Presidente da República, com a Comissão Europeia, com os sindicatos e com a comunicação social. Um governo que não resolve problemas porque, ao que parece, pura e simplesmente os problemas deixaram de existir. O governo- -modelo para aprendizes de governantes que vêm em romaria aprender como se faz. Este é o governo de sonho, cujo País ganha na música, no futebol, no turismo. Este é o governo quase sem católicos mas que recebe o Papa como se fosse o mais beato dos beatos. Este é o governo que não se desgasta com uma reformazinha que seja. Que não se atravessa com uma medidazinha impopular. Que não se mete em quezílias com jornalistas. Que não sobressalta o soninho sindicalista. É o governo que assobia para o ar, porque sabe que tudo de bom há-de acontecer – seja graças à força da fé, de um optimismo transbordante ou de um golpe de sorte. É o governo que até nos faz esquecer o resgate que tivemos há seis anos. Que nos distrai alegremente da monstruosa dívida que nos assola. Que alimenta um Estado cada vez mais gordo. Que faz de conta que não continuamos sob o jugo de uma enorme violência fiscal. Para quem a degradação dos serviços públicos (na saúde, na educação, nos transportes) parece que nem se nota. É o governo bonacheirão, do dia-a-dia. Que festeja o presente, esquece o amanhã e não aprende com o passado. Eu, que até gosto de festas, não confio. Ponto.

1 comentário:

Bilder disse...

As passagens a amarelo dizem muito realmente,e mais haveria para dizer.Mas quem se importa(tirando alguns que insistem em olhar a realidade além das aparências)quando o futebol tuga continua a ganhar e os arraiais já começaram?