quinta-feira, 29 de junho de 2017

"A música e o fassismo"

O livro das imagens 
Tenho andado a ouvir bandas nacionais dos anos cinquenta e sessenta. Trata-se de mais uma área através da qual podemos constatar que muito do que nos tentam impingir acerca do Estado Novo é falso. Quem se aventure por essa época descobrirá dezenas de bandas, influenciadas pelo que se fazia lá fora. E assim se desmontam dois mitos: o do isolamento cultural do país e o do Portugal triste e apagado, sujeito aos horrores salazaristas. Cometas Negros, Gatos Negros, Demónios Negros (muito gostavam eles do negro), Conchas, Quarteto Académico João Paulo e tantos, tantos outros, animaram esse país (e o Ultramar, tendo tocado inclusive para os militares aí colocados durante a guerra) nas décadas citadas. Cantaram em português, inglês, francês, fizeram covers de temas estrangeiros, gravaram, editaram, puseram a juventude em contacto com o twist, o rock, o rockabilly e por aí fora. Até Castelo Branco, uma cidade do interior, que à data não chegava aos 20.000 habitantes (apenas atingidos em 1980) foi atingida pelo fenómeno. Os Cometas Negros apareceram por lá em 1962. Portanto, se no início dos anos sessenta até pequenas cidades tinham as suas bandas, onde fica o mito do país fechado? Fica entre aqueles a quem serve e que continuam a reproduzi-lo, (de)formando gerações sem acesso a outra narrativa que não seja a oficial.

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