terça-feira, 6 de junho de 2017

Existe uma ligação entre terrorismo e religião?

A-24: De volta a estas lides, o sempre coerente João.

Via O livro das imagens 
Após mais um ataque terrorista surge novamente a pergunta retórica. Existe alguma ligação entre terrorismo e religião, mais concretamente entre terrorismo e islão? Os terroristas islâmicos representam o islão? Em ambos os casos, por muito que custe aos multiculturalistas, aos tolerantes de sentido único, aos esquerdistas, aos camaleões, rinocerontes e outros, a resposta é afirmativa. Existe ligação.A realidade não é aquilo que nós queremos. E nela, as religiões também não. A Europa habituou-se, desde há muito, a ver uma religião como um conjunto de preceitos dos quais se escolhem meia dúzia, aqueles que se acham mais convenientes, para bom uso pessoal quando convém. Assim se manteriam no activo alguns milhões de crentes, sobretudo cristãos. Acontece que uma crença não pode ser dividida em bocados. Não se pode adoptar aquilo que mais nos interessa e deitar fora o resto, tal como não se integra um clube ou um partido de forma parcelar. Aceitam-se as regras, as normas, as exigências.
Quando se diz que existem x cristãos ou y muçulmanos tal não corresponde à verdade. É preciso que se perceba, de uma vez por todas, que não é cristão, budista, muçulmano, quem se afirma como tal mas sim quem cumpre os preceitos da fá em causa. E quem os cumpre globalmente, não de forma repartida. Que a Europa esteja, há muito, a encarar a religião como uma espécie de produto comercial diz muito sobre o continente mas pouco ou nada sobre a fé.
Quando sabemos que existem católicos que crêem na reencarnação, que negam a ressurreição, por exemplo, então temos de reconhecer que tais indivíduos não são efectivamente católicos. Podem-se apresentar como tal, mas na realidade andam longe de casa. Passa-se o mesmo com as demais crenças.
Quando alguém diz que tem amigos muçulmanos, conhece muçulmanos e esses condenam os atentados, é preciso ver se essas pessoas são efectivamente muçulmanas ou apenas nominalmente, tal como aqueles que se dizem católicos apenas por tradição famílias mas sem nunca viverem a fé. Os ditos muçulmanos cumprem os preceitos religiosos? Sim? Em parte? Então há que reconhecer que talvez não sejam propriamente muçulmanos embora se apresentem como tal.
É também frequente dizer-se que são os muçulmanos as principais vítimas do terrorismo, dados os atentados ocorridos em países como o Iraque, Afeganistão ou Síria. Essa questão tem sido amplamente discutida no seio da religião. Para alguns é ilegítima a morte de crentes em tais circunstâncias. Para outros não, tendo-se criado o conceito de excomunhão para justificar tais mortes – o problema é demasiado complexo para ser abordado aqui. Ou seja, temos novamente a questão atrás referida, a de saber até que ponto estamos perante crentes genuínos.
E o terrorista, é muçulmano? É. Vivemos num tempo em que o conceito “fundamentalismo” exibe uma carga negativa absolutamente injustificada. E isto pela simples razão de que todo o crente tem de ser fundamentalista. A única crença verdadeira é aquela que assenta em fundamentos sólidos, concretos. Por isso, falar de fundamentalismo islâmico ou cristão ou budista é uma redundância. Toda a religião o é, tal como toda a crença verdadeira, tal como toda a vida e seus projectos. Precisamos de fundamentos e ninguém pode viver verdadeiramente sem eles. Em consequência, a ideia do “muçulmano moderado” é uma ficção. Tal como a do “cristão moderado”, do “hindu moderado” ou algo de semelhante. Não existe crença moderada, crença pelo meio-termo. Ou se crê ou não se crê. Apenas num mundo e num continente que deixou de acreditar de forma efectiva nos seus valores fundamentais (cá está outra vez o fundamento) é possível encarar a ideia da moderação de forma positiva. O moderado é aquele que não se compromete, que tergiversa, que recusa assumir uma posição concreta. A moderação é a ideologia duma Europa de cobardes e vendidos, que para não se apresentarem como o que são projectam nos outros as suas características.
No caso islâmico, Maomé foi um conquistador. Maomé e seus seguidores não conquistaram toda a Península Arábica, o Norte de África, o Próximo Oriente e tudo o mais com palavras de paz e amor. A expansão islâmica não se fez pelo diálogo, mas pela força. Ora, para os muçulmanos o modelo a seguir é só um, o de Maomé e dos quatro primeiros califas. Quem disser o contrário não é muçulmano. E, assim sendo, tem de reconhecer que o seu modelo é o de um homem que foi profeta e guerreiro, fundador de um credo que tem na força um elemento essencial.
Ao tempo de Maomé, a Península Arábica tinha crentes judeus, pagãos, cristãos. Com o triunfo do islão todos eles desapareceram e sobrou o novo credo. Em todo o lado onde o islão triunfa as demais religiões desaparecem, a não ser em situações excepcionais e por razões de natureza prática. Na Europa não será diferente.

Sem comentários: