sexta-feira, 23 de junho de 2017

"Jornalismo de causas"

 O Livro das imagens
O recente incêndio num prédio de Londres ofereceu-nos mais uma oportunidade para percebermos o carácter - ou a falta dele - no jornalismo actual.
Nesta altura, o balanço vai em 30 mortos e dezenas de desaparecidos, mas ainda não tinha sido feito o rescaldo já a informação circulava, certeira e objectiva: o número de vítimas só não era maior porque os residentes muçulmanos do edifício, despertos por causa do Ramadão, tinham dado o alerta. Repare-se, não se conhecia quantos mortos e feridos existiam, podiam ser 10 ou 100, mas esta certeza ninguém a tirava. Claro que ninguém referiu a possibilidade de o incêndio ter sido provocado por alguma acção dos tais madrugadores, aliás, as causas do sinistro parecem ter ficado para segundo plano, ocultas por tão notável descoberta.
Não é nada que estranhemos. O jornalismo, hoje, desmerece o nome que tem - se é que alguma vez o mereceu. Militância, sempre existiu. O défice de vergonha é que nunca foi tão grande. Veja-se o caso português. No tempo da monarquia havia imprensa republicana - mas sabia-se qual era ( O Século, por exemplo). No tempo da Primeira República havia imprensa monárquica e sabia-se qual era (O Correio da Manhã, por exemplo - não confundir com o actual). No tempo do Estado Novo existia imprensa opositora e sabia-se qual era (o Diário de Lisboa, por exemplo). Ou seja, havia posições assumidas claramente. Hoje existe militância travestida de independência. A comunicação social, na esmagadora maioria, segue uma agenda pró-islâmica, esquerdista, politicamente correcta, mas finge uma independência que não tem. Nós sabemos que é assim, eles sabem que nós sabemos, mas continuam como se nada fosse. O jornalismo hoje, como ontem, serve primariamente interesses - não o público. Simplesmente, antigamente afirmava-o de forma mais ou menos clara. Hoje, permanece submerso numa hipocrisia que só lhe fica mal.

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